March 2010
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como conservar um cadáver
a menininha pegou o melhor dos seus bisturis. o mais bonito. o mais afiado. o que ela guardava com mais carinho, aquele que só seria usado numa ocasião realmente especial. depois de devidamente dopado, ela o colocou sobre a mesa. tinha que ser vivo. ao menos começar assim. mais que impedir o apodrecimento dos tecidos, ela queria evitar o apodrecimento das lembranças. começou tirando a água. aquela...
a manhã de hoje, no sentido da janela e depois cortina para então matizar os lençóis de ressaca da minha cama, foi vermelha. e é tua a culpa da hemorragia. também de Waits, que cantava as saudades e os pedaços quando tuas palavras de confortar vigília antiga brotaram na tela seca do celular. vermelho é cor de perigo e de desejo (e o meu épico amor por precipícios). sei que a regra é o desapego,...
no copo, água mineral fluoretada e litinada ao...
é possível, como num narcisismo crônico, olhar-se existindo quando os meses eram de data distante e, nesse influxo da memória, reconhecer-se no outro que ainda se é para, depois, abraçar com os olhos o espelho daquela dor?
sobre verborragia paralítica
(cinco páginas & meia de confissões de mercúrio resolvem morada no vão da unha esquerda do meu primeiro pododáctilo) o avançar se dá em camadas internas quando os pés falham. deitada em mim, do outro pouco sei as aparências. o outro inclui toda uma vida de começos e fins - então me salvo. não escrever para que haja mais sono, pois.
existe um lençol úmido de tinta acrílica azul cobalto no...
tom waits - ol' 55 →
discursinho combalido
no substituto de outro instante - nessa de mundo numa festa à fantasia, astronautas reagindo à fotoquímica, corações emergindo em escafandros, almas a ver navios piratas -, quando tua mão resolver-se à minha, a paisagem bordará, apenas, uma risada malévola de um deus. do pó, o que o vento não levou. de mim, o sono repetindo as vinte e quatro horas. de ti, a imbecilidade subindo palanques. de nós,...